Este carro, chamado de Pratyko, tem um elevador que suporta até 200 quilos que possibilita ao cadeirante estacionar de ré e descer direto na calçada - Foto: Vani Boza / Agencia RBS
Melhora a mobilidade, autonomia e a vida do cadeirante
O protótipo já está pronto, só faltam parceiros para viabilizar a produção e comercialização
Pablo Gomes | pablo.gomes@diario.com.br Vem de uma pequena cidade da Serra de Santa Catarina uma invenção que deve proporcionar uma vida mais digna a muita gente no Brasil inteiro e até em outros países. O Pratyko é um carro construído especialmente para deficientes físicos, a fim de atender às necessidades de locomoção destas pessoas. O protótipo já está pronto. Faltam agora parceiros para viabilizar a produção em série e a comercialização do automóvel.
Tudo começou há oito anos, quando o técnico em informática Márcio David, de 38 anos, cadeirante desde bebê após sofrer um acidente, estava em uma festa de aniversário em Lages e foi questionado por amigos sobre os problemas que enfrenta. Márcio, que já tinha a ideia de produzir um veículo para facilitar a vida dos deficientes, disse que as maiores dificuldades eram justamente para se locomover, pois sempre dependia de alguém. E foi desta conversa informal que o sonho de boa parte das 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil começou a virar realidade.
Em 2005, um amigo de Márcio, o técnico em eletrônica Gilberto Mesquita, apresentou um pequeno protótipo do que poderia vir a ser um carro de verdade. E logo a ideia foi saindo do papel. A garagem da casa de Gilberto, na cidade de Correia Pinto, distante 25 quilômetros de Lages, virou a fábrica. E o que foi feito lá é de encher os olhos de qualquer cadeirante.
Além de Márcio e Gilberto, participam do trabalho os cientistas da computação João Francisco Gil e Sérgio Murilo Schütz. Para dar início ao Pratyko foram utilizadas rodas de empilhadeira, motor de barco, chassi tubular e dezenas de outras pecinhas.
Aos poucos, o projeto, batizado de Mão na Roda, foi sendo aperfeiçoado e, em 2009, foi contemplado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado (Fapesc) com R$ 50 mil para ser levado adiante. E com mais uns R$ 20 mil investidos pelos quatro amigos, em dezembro do ano passado ficou pronto o primeiro exemplar do Pratyko.
O carro
Com 2,6 metros de comprimento e 1,6 de largura, o protótipo leva peças e acessórios de carros normais, como as rodas e pneus aro 13, parachoque, parabrisa e farois. O motor é de uma motocicleta 250 cilindradas movido a gasolina e alcança velocidade de até 50 quilômetros por hora.
O acelerador e o freio são manuais, ao lado do volante. Bem como o câmbio, com embreagem, que tem cinco marchas para frente e para trás. Vidros elétricos, GPS e sensores de estacionamento na traseira e nas laterais também estão presentes.
No painel, um marcador de combustível, o velocímetro, o conta giros e o indicador das baterias – uma de moto para o motor e uma de carro para o sistema elétrico que controla a porta e o elevador. Porta e elevador que, aliás, estão os principais benefícios do Pratyko.
A porta é traseira, como se fosse o porta-malas, e, ao ser aberta, faz descer um elevador que suporta até 200 quilos. Ambos são comandados por controle remoto. Ou seja, o cadeirante pode estacionar de ré e descer, sem problemas, direto na calçada.
Pratyko será ainda melhor
Com a conclusão do protótipo, os quatro amigos devem começar a construir em breve o primeiro exemplar oficial do Pratyko. O veículo terá o mesmo tamanho, mas a carroceria será de fibra – o que baixará o custo e o peso do carro, que ficará na casa dos 400 quilos —, o motor será de 600 cilindradas, a velocidade máxima chegará a 80 quilômetros por hora, o consumo ficará entre 20 e 25 quilômetros por litro de gasolina, o câmbio será automático, uma câmera na traseira facilitará as manobras e a cadeira de rodas do condutor terá uma trava de segurança dentro do carro. Banco de passageiro e air bag são opções que podem ser incluídas futuramente.
Assim que o carro estiver pronto, o que deve ocorrer no máximo no ano que vem, será preciso fazer toda a parte burocrática, como a homologação junto ao Inmetro e ao Detran. Mas enquanto isso, a equipe do Mão na Roda busca parceiros e investidores para viabilizar a produção e a comercialização do Pratyko.
São necessárias uma metalúrgica para produzir o chassi e uma empresa que trabalhe com fibra para fazer a carroceria. A parte tecnológica ficará com Márcio, Gilberto, João e Sérgio. Quando a produção iniciar, a meta é fabricar 100 carros por ano, vendendo cada unidade por cerca de R$ 20 mil. Mas como no mercado automobilístico normal, será possível personalizar o veículo com outras opções, como ar condicionado, o que obviamente aumentará o custo.
O Pratyko começou a ser divulgado ainda neste mês pela internet e, em poucos dias, o site do projeto já foi acessado em 25 países. Aproximadamente 50 pessoas já entraram em contato para adquirir o veículo, e duas empresas, uma do estado do Paraná e outra de Angola, país lá do continente Africano, têm interesse em revender o carro.
— Este carro é a realização de um sonho, pois vai facilitar muito a vida dos cadeirantes. Teremos autonomia para nos locomover sem depender de ninguém —, diz Márcio David.
Serviço
Contatos com a equipe que projetou o Pratyko podem ser feitos pelo site do projeto ou pelos telefones (49) 9982-6595 e 9923-8605.
Tudo começou há oito anos, quando o técnico em informática Márcio David, de 38 anos, cadeirante desde bebê após sofrer um acidente, estava em uma festa de aniversário em Lages e foi questionado por amigos sobre os problemas que enfrenta. Márcio, que já tinha a ideia de produzir um veículo para facilitar a vida dos deficientes, disse que as maiores dificuldades eram justamente para se locomover, pois sempre dependia de alguém. E foi desta conversa informal que o sonho de boa parte das 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil começou a virar realidade.
Em 2005, um amigo de Márcio, o técnico em eletrônica Gilberto Mesquita, apresentou um pequeno protótipo do que poderia vir a ser um carro de verdade. E logo a ideia foi saindo do papel. A garagem da casa de Gilberto, na cidade de Correia Pinto, distante 25 quilômetros de Lages, virou a fábrica. E o que foi feito lá é de encher os olhos de qualquer cadeirante.
Além de Márcio e Gilberto, participam do trabalho os cientistas da computação João Francisco Gil e Sérgio Murilo Schütz. Para dar início ao Pratyko foram utilizadas rodas de empilhadeira, motor de barco, chassi tubular e dezenas de outras pecinhas.
Aos poucos, o projeto, batizado de Mão na Roda, foi sendo aperfeiçoado e, em 2009, foi contemplado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado (Fapesc) com R$ 50 mil para ser levado adiante. E com mais uns R$ 20 mil investidos pelos quatro amigos, em dezembro do ano passado ficou pronto o primeiro exemplar do Pratyko.
O carro
Com 2,6 metros de comprimento e 1,6 de largura, o protótipo leva peças e acessórios de carros normais, como as rodas e pneus aro 13, parachoque, parabrisa e farois. O motor é de uma motocicleta 250 cilindradas movido a gasolina e alcança velocidade de até 50 quilômetros por hora.
O acelerador e o freio são manuais, ao lado do volante. Bem como o câmbio, com embreagem, que tem cinco marchas para frente e para trás. Vidros elétricos, GPS e sensores de estacionamento na traseira e nas laterais também estão presentes.
No painel, um marcador de combustível, o velocímetro, o conta giros e o indicador das baterias – uma de moto para o motor e uma de carro para o sistema elétrico que controla a porta e o elevador. Porta e elevador que, aliás, estão os principais benefícios do Pratyko.
A porta é traseira, como se fosse o porta-malas, e, ao ser aberta, faz descer um elevador que suporta até 200 quilos. Ambos são comandados por controle remoto. Ou seja, o cadeirante pode estacionar de ré e descer, sem problemas, direto na calçada.
Pratyko será ainda melhor
Com a conclusão do protótipo, os quatro amigos devem começar a construir em breve o primeiro exemplar oficial do Pratyko. O veículo terá o mesmo tamanho, mas a carroceria será de fibra – o que baixará o custo e o peso do carro, que ficará na casa dos 400 quilos —, o motor será de 600 cilindradas, a velocidade máxima chegará a 80 quilômetros por hora, o consumo ficará entre 20 e 25 quilômetros por litro de gasolina, o câmbio será automático, uma câmera na traseira facilitará as manobras e a cadeira de rodas do condutor terá uma trava de segurança dentro do carro. Banco de passageiro e air bag são opções que podem ser incluídas futuramente.
Assim que o carro estiver pronto, o que deve ocorrer no máximo no ano que vem, será preciso fazer toda a parte burocrática, como a homologação junto ao Inmetro e ao Detran. Mas enquanto isso, a equipe do Mão na Roda busca parceiros e investidores para viabilizar a produção e a comercialização do Pratyko.
São necessárias uma metalúrgica para produzir o chassi e uma empresa que trabalhe com fibra para fazer a carroceria. A parte tecnológica ficará com Márcio, Gilberto, João e Sérgio. Quando a produção iniciar, a meta é fabricar 100 carros por ano, vendendo cada unidade por cerca de R$ 20 mil. Mas como no mercado automobilístico normal, será possível personalizar o veículo com outras opções, como ar condicionado, o que obviamente aumentará o custo.
O Pratyko começou a ser divulgado ainda neste mês pela internet e, em poucos dias, o site do projeto já foi acessado em 25 países. Aproximadamente 50 pessoas já entraram em contato para adquirir o veículo, e duas empresas, uma do estado do Paraná e outra de Angola, país lá do continente Africano, têm interesse em revender o carro.
— Este carro é a realização de um sonho, pois vai facilitar muito a vida dos cadeirantes. Teremos autonomia para nos locomover sem depender de ninguém —, diz Márcio David.
Serviço
Contatos com a equipe que projetou o Pratyko podem ser feitos pelo site do projeto ou pelos telefones (49) 9982-6595 e 9923-8605.

E é um projeto brasileiro? Que bacana!!!!! Viva o Pratiko! Adorei o post!
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