terça-feira, 22 de março de 2011

Catarinenses da Serra desenvolvem carro especial para deficientes físicos

Este carro, chamado de Pratyko, tem um elevador que suporta até 200 quilos que possibilita ao cadeirante estacionar de ré e descer direto na calçada - Foto: Vani Boza / Agencia RBS

Melhora a mobilidade, autonomia e a vida do cadeirante


O protótipo já está pronto, só faltam parceiros para viabilizar a produção e comercialização
Pablo Gomes | pablo.gomes@diario.com.br Vem de uma pequena cidade da Serra de Santa Catarina uma invenção que deve proporcionar uma vida mais digna a muita gente no Brasil inteiro e até em outros países. O Pratyko é um carro construído especialmente para deficientes físicos, a fim de atender às necessidades de locomoção destas pessoas. O protótipo já está pronto. Faltam agora parceiros para viabilizar a produção em série e a comercialização do automóvel.

Tudo começou há oito anos, quando o técnico em informática Márcio David, de 38 anos, cadeirante desde bebê após sofrer um acidente, estava em uma festa de aniversário em Lages e foi questionado por amigos sobre os problemas que enfrenta. Márcio, que já tinha a ideia de produzir um veículo para facilitar a vida dos deficientes, disse que as maiores dificuldades eram justamente para se locomover, pois sempre dependia de alguém. E foi desta conversa informal que o sonho de boa parte das 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência no Brasil começou a virar realidade.

Em 2005, um amigo de Márcio, o técnico em eletrônica Gilberto Mesquita, apresentou um pequeno protótipo do que poderia vir a ser um carro de verdade. E logo a ideia foi saindo do papel. A garagem da casa de Gilberto, na cidade de Correia Pinto, distante 25 quilômetros de Lages, virou a fábrica. E o que foi feito lá é de encher os olhos de qualquer cadeirante.

Além de Márcio e Gilberto, participam do trabalho os cientistas da computação João Francisco Gil e Sérgio Murilo Schütz. Para dar início ao Pratyko foram utilizadas rodas de empilhadeira, motor de barco, chassi tubular e dezenas de outras pecinhas.

Aos poucos, o projeto, batizado de Mão na Roda, foi sendo aperfeiçoado e, em 2009, foi contemplado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado (Fapesc) com R$ 50 mil para ser levado adiante. E com mais uns R$ 20 mil investidos pelos quatro amigos, em dezembro do ano passado ficou pronto o primeiro exemplar do Pratyko.

O carro

Com 2,6 metros de comprimento e 1,6 de largura, o protótipo leva peças e acessórios de carros normais, como as rodas e pneus aro 13, parachoque, parabrisa e farois. O motor é de uma motocicleta 250 cilindradas movido a gasolina e alcança velocidade de até 50 quilômetros por hora.

O acelerador e o freio são manuais, ao lado do volante. Bem como o câmbio, com embreagem, que tem cinco marchas para frente e para trás. Vidros elétricos, GPS e sensores de estacionamento na traseira e nas laterais também estão presentes.

No painel, um marcador de combustível, o velocímetro, o conta giros e o indicador das baterias – uma de moto para o motor e uma de carro para o sistema elétrico que controla a porta e o elevador. Porta e elevador que, aliás, estão os principais benefícios do Pratyko.

A porta é traseira, como se fosse o porta-malas, e, ao ser aberta, faz descer um elevador que suporta até 200 quilos. Ambos são comandados por controle remoto. Ou seja, o cadeirante pode estacionar de ré e descer, sem problemas, direto na calçada.

Pratyko será ainda melhor

Com a conclusão do protótipo, os quatro amigos devem começar a construir em breve o primeiro exemplar oficial do Pratyko. O veículo terá o mesmo tamanho, mas a carroceria será de fibra – o que baixará o custo e o peso do carro, que ficará na casa dos 400 quilos —, o motor será de 600 cilindradas, a velocidade máxima chegará a 80 quilômetros por hora, o consumo ficará entre 20 e 25 quilômetros por litro de gasolina, o câmbio será automático, uma câmera na traseira facilitará as manobras e a cadeira de rodas do condutor terá uma trava de segurança dentro do carro. Banco de passageiro e air bag são opções que podem ser incluídas futuramente.

Assim que o carro estiver pronto, o que deve ocorrer no máximo no ano que vem, será preciso fazer toda a parte burocrática, como a homologação junto ao Inmetro e ao Detran. Mas enquanto isso, a equipe do Mão na Roda busca parceiros e investidores para viabilizar a produção e a comercialização do Pratyko.

São necessárias uma metalúrgica para produzir o chassi e uma empresa que trabalhe com fibra para fazer a carroceria. A parte tecnológica ficará com Márcio, Gilberto, João e Sérgio. Quando a produção iniciar, a meta é fabricar 100 carros por ano, vendendo cada unidade por cerca de R$ 20 mil. Mas como no mercado automobilístico normal, será possível personalizar o veículo com outras opções, como ar condicionado, o que obviamente aumentará o custo.

O Pratyko começou a ser divulgado ainda neste mês pela internet e, em poucos dias, o site do projeto já foi acessado em 25 países. Aproximadamente 50 pessoas já entraram em contato para adquirir o veículo, e duas empresas, uma do estado do Paraná e outra de Angola, país lá do continente Africano, têm interesse em revender o carro.

— Este carro é a realização de um sonho, pois vai facilitar muito a vida dos cadeirantes. Teremos autonomia para nos locomover sem depender de ninguém —, diz Márcio David.

Serviço
Contatos com a equipe que projetou o Pratyko podem ser feitos pelo site do projeto ou pelos telefones (49) 9982-6595 e 9923-8605.

Um comentário:

  1. E é um projeto brasileiro? Que bacana!!!!! Viva o Pratiko! Adorei o post!

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